Coleção Galo Branco de literatura contemporânea é lançada na Biblioteca Mário de Andrade

907a66_34f31ca9723f4d2d970162686dfa80a4No próximo dia 2 de dezembro, quarta-feira, a partir das 19h, será lançada na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, a Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, composta por sete títulos inéditos que foram lançados ao longo do ano de 2015 em diversas cidades do interior do estado de São Paulo. A Coleção foi publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC.

Fazem parte da Coleção Galo Branco os seguintes livros: “Espanto”, de Pedro Spigolon com fotografias de Pedro Spagnol; “Espelho d’água”, de Sarah Valle, ilustrado por Natália Gregorini; “Silenciosa Maneira”, de Jefferson Dias; “Pluma e Imensidão”, de Augusto Meneghin; “Azulázio”, de Anderson Kaltner; “As chaves de Buco”, de Danilo Carandina e “Arisca”, de Ana Julia Carvalheiro.

No lançamento na Mário de Andrade a Coleção, com os 7 livros, estará a venda por apenas R$ 30,00.

12250046_661446723958555_6895986306146473008_nNo mesmo dia, também acontecerá o relançamento do livro “Histórias zoófilas e outras atrocidades”, de Wilson Alves-Bezerra, professor de Literatura na UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), celebrando a parceria com a Editora Urutau. Wilson também fará algumas leituras do seu próximo livro.

Mais informações sobre o evento na página criada no facebook.

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7º canto: ‘Arisca’, de Ana Júlia Carvalheiro

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Ilustração de “Arisca”

Na próxima quinta-feira, 26 de novembro, a partir das 19h, será lançado no Vila Bar, em Barão Geraldo, o sétimo e último livro da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, publicada pela Editora Medita neste ano de 2015 com recursos do ProAC, o livro “Arisca”, de Ana Júlia Carvalheiro.

Um livro com poemas e pequenos textos que podem muito bem serem vistos como pequenos poemas em prosa, “Arisca” é livro que parece se mostrar arisco desde o início, ele se esquiva, é daqueles que desconfia de si mesmo e do próprio leitor, “Assim, meu poema sempre obscuro, esconde-se mim, dentro da sombra. Obscurecendo o sentido, prolongo a chegada da derrota”.

As manchas da infância se imprimem logo no primeiro poema, cujo título é o mesmo do livro, e fala da infância mal resolvida, e do sorriso das crianças que dormem, “bizarro e bonito”. O aprendizado da escrita, o esforço da forma, estão em momentos como “Aprendi muitas coisas: a respirar, colocando o ar para fora, todo ele, buscando ele fundo debaixo das entrelinhas dos pulmões […] Aprendi a reler o que escrevo, número de vezes necessário para Enfiar, com letra maiúscula, dentro dos poros e saber de cor todos os erros”.

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Ilustração de “Arisca”

Um livro corajoso, que diz, sem indiretas, o que não é a mesma coisa que dizer com facilidade, do feminino, do tempo, da velhice, do corpo, do Outro, do romance entre o peixe de asas de fogo e a Girafa-Bexiga-Cheia de O2 num turbilhão de imagens onde, no dissecamento poético da vida, não há espaço para moralismos baratos, conceitos ingênuos, julgamentos fáceis. “A foda é só uma distração, prazer dolorido que arrecada tesão”.

Mas talvez entre tantas imagens, nenhuma diga mais sobre este livro do que aquela da jaguatirica que se insinua – selvagem – por entre alguns poemas como o belíssimo “Quantos anos”. Em um esforço antropofágico reconhecem-se, fazem-se amigas e fotografam-se no poema a Eu – “coisa concreta de corpo com cabeça”, a fada – “mole e inconsistente” e a jaguatirica – “uma encrenca pequena, lenta e atenta, está ainda olhando para nós”.

“Arisca”, encrenca pequena a olhar para nós, demolindo nossos anos, ilusões, passagens firmes, a constante e certa demolição da gente, começando sempre do nosso lugar de origem, a Casa Branca da poeta é também a Casa Velha de todos nós (quem não possui a sua?), o lugar de onde você sai, que não sai de você, o porquê? Não se sabe, e talvez se trate mesmo de não saber. As jaguatiricas são ariscas, indizíveis, invioláveis, feminino selvagem, sem resposta, sem solução. Ainda bem.

Como escreve a autora em suas notas: “Precisamos nos enxergar mais como um mistério, do que como um problema a ser resolvido”. E coube tão bem a este livro e a mim mesma boiando nele. Tentei tantas vezes resolvê-lo, mas ele não tem solução. […] Meu falso eu, esse ser do eu lírico me permitiu tantas aventuras, tantos casinhos, tantas liberdades que eu não sei se peço um tempo ou se caso logo com ele”.

O lançamento de “Arisca” tem entrada gratuita e é aberto ao público em geral. O livro estará sendo vendido no dia pelo valor de R$10,00. Mais informações no evento criado no Facebook.

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A cesta de basquete, o porão, a comida inventada com
jabuticaba
mortadela de madrugada
a galinha-cachorro
a namorada da capital
eu e você
os pelos no rosto
o amor correspondido
a demolição da casa
o terreno baldio
a cidade dorme
o beijo que roubei
os aplausos das crianças da rua
a desculpa do pão
minha descrença, minha culpa
não, foi outra coisa
a demolição da gente.

(p. 40)

Sem título* Ana Júlia Carvalheiro Costa nasceu em 1994, na cidade de Casa Branca, aprendeu que jabuticaba dá em tronco e voçorocas podem engolir cidades. Em 2013 fez algumas tirinhas e textos no jornal do Instituto de Artes da UNICAMP,
Ô,Xavante . Publicou seu Self na edição yoJaguar da revista de poesia e traduções Eu onça. Por enquanto se encontra na cidade de Campinas onde arrisca se tornar entre outras coisas uma Midialoga. ariscagalobranco@gmail.com ou está conectada na rede do Zuckerberg, pelo nome que assina.

Evento discute os desafios das editoras não hegemônicas com lançamento da Coleção Galo Branco

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Na próxima quarta-feira, 25, a partir das 19h, acontece em São Carlos, no Auditório da Educação Especial (Atrás do Departamento de Letras), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), uma mesa de debate que discutirá “Os desafios das editoras não-hegemônicas: da invenção à circulação dos livros” com a participação dos editores Ana Penteado (Ed. Urutau) e Tiago Rendelli (Ed. Urutau) e mediação de Luciana Salazar Salgado (UFSCar).

Serão emitidos certificados aos participantes.

Além do debate, o evento terá também o Lançamento/Sarau da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, publicada pela Editora Medita neste ano de 2015 com recursos do PROAC. 

Estarão presentes os sete livros que integram a Coleção:

“Espanto”- Pedro Spigolon, fotografias de Pedro Spagnol
“Espelho d’água” – Sarah Valle, Ilustrado por Natália Gregorini
“Silenciosa Maneira” – Jefferson Dias
“Pluma e Imensidão” – Augusto Meneghin
“Azulázio” – Anderson Kaltner
“As chaves de Buco” – Danilo Carandina
“Arisca”, de Ana Julia Carvalheiro

O evento está sendo realizado pelo Fórum de debates & Quartas de bolso. Mais informações no evento criado no facebook. 

6º canto: “As Chaves de Buco”, de Danilo Carandina

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Ilustração de “As Chaves de Buco”

“Um segredo que não posso contar”. Essa é uma das frases de diversas formas repetida por Buco, menino de nove anos, já com responsabilidades, o misterioso personagem do livro “As Chaves de Buco”, de Danilo Carandina, sexto livro lançado pela Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC.

Um livro imerso na Noite Intensa – “A noite intensa também pode ser chamada de madrugada. O que para você é só um horário da meia-noite às 6, para Buco, e para mim também, sinceramente, era o mais absurdo dos montes do céu.” – recortado por buscas que quase sempre não levam a lugar nenhum. Buco está destinado a jamais encontrar o que desde a primeira linha do livro estava procurando. E é justamente na linha que ele havia perdido algo. “A linha é um fio tenso e esticado entre o céu e a terceira árvore do número 26 da Alameda dos Inconscientes”.

As imagens meticulosas na exploração de um vasto mundo entre o imaginário e o fantástico acumulam-se na narrativa que, frequentemente, interpela o leitor e faz aparecer, vez ou outra, a voz que conta a história.

“Árvores morenas”, “de olhos verdes”, suas descrições enxergam todas as coisas como humanas e as trazem nessa perspectiva. No caminho em busca do objeto perdido, Buco se depara, por obra do acaso, com uma porta fechada para a qual ele não tem a chave. “Se você não tem a chave é porque deve refazer o caminho, procurando algo diferente do que o que havia perdido. Não por lógica e nem por sabedoria, Buco acabou simplesmente sabendo disso e refez o caminho mais trinta e seis vezes, procurando a chave”.

Como um livro a ser descoberto, aberto, “história incomum começada e escrita na sombra”, “As Chaves de Buco” lembra um labirinto de portas e corredores que existem e não existem onde se explora pela narrativa literária aquilo que há de melhor no mito: sua liberdade, sua possibilidade inesgotável de mundos outros, aquela “língua das flautas” buscada pelos poetas.

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Ilustração de “As Chaves de Buco”

Agora sim, antes de contar o resto, podemos localizar você, leitor. Buco estava no meio da noite intensa, o que bem pode ser escrito em maiúsculas, se é assim que você entende as coisas. A Noite Intensa é o último sussurro da madrugada, que é o eterno e faminto breu. Se digo que a lanterna de sal de Buco estava nos últimos segundos de atividade, pouco importa o que é uma lanterna de sal, mas sim que Buco, em poucos segundos, ficaria completamente mais ainda no mais escuro e intenso breu da noite. Agora sim, voltando, Buco disse:

– Um segredo que não posso contar.

(p.41)

 

“As Chaves de Buco”, de Danilo Carandina, teve seu primeiro lançamento realizado no dia 14 de novembro, na cidade de Araras, interior de São Paulo. Para aqueles que não puderam ir ao lançamento, o livro já está à venda pela lojinha da Editora Medita.

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    Danilo Carandina (Foto: Pedro Spagnol)

    Danilo Carandina é compositor, escritor e artista plástico nascido em Araras – SP. Lançou seu primeiro EP, com cinco músicas autorais, em 2015, intitulado “Tudo Vai Dar Errado” através do selo Grama Records, do qual faz parte. Trabalhou em alguns álbuns como produtor, arranjador e músico, como “A Blue Waltz” (2014), de Phillip Long, e “Encanto Ao Mar” (2013), de Ciro Bertolucci. Participou da primeira edição da revista euOnça – Editora Medita – com um poema publicado.

Site: http://spamoufraude.tumblr.com/
Facebook: Danilo Carandina

Coleção Galo Branco lança em Campinas livros ‘Azulázio’ e ‘Pluma e Imensidão’

12227186_658966194206608_513311736521677008_nNesta quarta-feira, 11, a partir das 18h, a Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, que está sendo publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, lança em Campinas os livros de poemas, “Pluma e Imensidão”, de Augusto Meneghin, e “Azulázio”, de Anderson Kaltner.

O lançamento acontecerá na Galeria AT AL 609, localizada no bairro do Cambuí. Os livros estarão sendo vendidos pelo valor de R$ 10,00.

“Pluma e Imensidão’, de Augusto Meneghin, poderia ser visto simplesmente como um livro de poesia, mas, mais do que isso, é um livro de poemas, de imagens, de lugares, que supõe e convida o leitor a saltos, devaneios e toda sorte de imensidões. Segundo livro de Augusto, que já publicou pela mesma Editora Medita o livro de poemas “O Mar sem nós”, “Pluma e Imensidão” traz um primeiro poema, que dá título ao livro, e outros poemas que, mesmo nas suas particularidades e ritmos próprios, tecem juntos uma beleza múltipla. A potência da imagem poética reverbera nas páginas do livro, dando forma a uma poesia plástica que mais do que ser entendida, pretende-se sentida, daí sua intimidade com tudo que é da ordem do corpo e do espaço. Poesia-experiência, poesia-correspondência.

“Azulázio”, de Anderson Kaltner, já sugere desde o título quais seriam seus movimentos principais. “Azulázio” nos faz lembrar de “azul”, “azulejo”, duas palavras que aparecem nos poemas do livro, e talvez de topázio, para lembrar da pedra que aparece em um dos seus belos versos: “Amor é o afago da pedra”. Tanto azul, quanto pedra, são palavras de extenso uso poético. Desde a pedra drummondiana até o azul de Mallarmé, temos a tensão que, de certa forma, se desenvolve neste livro entre o lugar dos devaneios, dos sonhos, da imensidão, do inefável, e a pedra, objeto tão comum, rasteiro, das estradas, do chão, que, no entanto, traz em si também ares de mistério ou de coisa insondada, rara.

Com financiamento do Edital nº 34/2014 do Programa de Ação Cultural “Concurso de Apoio a projetos de publicação de livros – Coleção de Obras Inéditas – no Estado de São Paulo”, a Coleção Galo Branco é composta por vários autores, são eles: Pedro Spigolon, Sarah Valle, Augusto Meneghin, Ana Júlia Carvalheiro, Jefferson Dias, Anderson Kaltner e Danilo Carandina. Nesse projeto estão sendo impressos um total de 10.500 livros, divididos em 7 títulos inéditos. Os lançamentos acontecerão até dezembro deste ano em cidades do interior do estado de São Paulo.

O lançamento é aberto ao público em geral e a entrada é gratuita. Mais informações no evento criado no facebook.

um barco feito / do próprio rio / uma correnteza / nele mesmo (Anderson Kaltner, do livro “azulázio”, página 12.)

exceto o pássaro em seu primeiro voo, poucos atravessam uma nuvem em todas as direções (Augusto Meneghin, do livro “Pluma e Imensidão”, página 14)

“Acredito que as coisas e as experiências são furtivas, que o passado e o futuro não existem”

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Uma das colagens que ilustram o livro “Azulázio”

Será lançado amanhã, 5 de novembro, na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, o quinto livro da coleção Galo Branco de literatura contemporânea, que está sendo publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, trata-se do livro de poemas “Azulázio”, de Anderson Kaltner.

Na entrevista que se segue, Anderson fala sobre seu livro, sobre a origem do título “Azulázio”, sobre como certas presenças existem em sua obra e se deixam capturar pela sua linguagem poética, e também sobre aquilo que o levou a estudar literatura e filosofia.

A questão do aspecto fugitivo das coisas e experiências, o protagonismo do presente e a compreensão da dimensão do céu como algo que contempla “todo o cosmos e todo o caos, das coisas supremas às futilidades humanóides”, atravessam sua fala espontânea e generosa, uma outra “brisa forte”, como ele mesmo chamou alguns de seus poemas.

Galo Branco: O título do seu livro, “Azulázio”, é uma palavra construída, que não encontramos no dicionário, mas que, mesmo designando uma espécie de objeto desconhecido, parece dialogar com questões importantes em jogo nos poemas. Como foi o processo de criação dessa palavra e o que ela permite dizer sobre o livro?
Anderson Kaltner: A palavra “azulázio” me veio como um acréscimo – bem simples – na palavra azul com o sulfixo ázio que geralmente é usada para minerais, como topázio, por exemplo. Achei uma lista de sulfixos num livro de gramática que estava folheando ao acaso. Descobri que àzio tem um sentido aumentativo, então é como se fosse “azulão”, só que achei essa outra forma mais bonita, rs.
Essa palavra veio a calhar ao invés do antigo nome, que era “azul e quase”, pois se referia, na época, à uma experiência de quase morte por afogamento que eu tinha passado.
Mas como você sugere na pergunta, Maura, também acho que essa palavra desconhecida remete à um objeto um pouco surreal e metafísico, e acho que isso é que tem ligação com os poemas que escrevi, alguns sendo “uma brisa forte”, como canta a MC Carol.

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Uma das colagens que ilustram o livro “Azulázio”

GB: Algumas presenças são fortes no seu livro, entre elas a do sonho, de todo um mundo onírico, ritualístico, do amor que se deixa ver na figura dos amantes, e do próprio mundo interior do sujeito, vastos territórios desconhecidos onde sua linguagem parece se aventurar. Tais presenças, no entanto, parecem já se dar como ausências, elas fogem. Como a sua linguagem ensaiou dar conta dessa instabilidade, dessa fuga das coisas, do próprio real?
Anderson: Essa é uma pergunta complicadíssima, rs, até acho que esse tipo de questões vieram até mim, de alguma maneira, pelas pessoas que me são próximas e que nutro uma admiração enorme. Também isso me levou a estudar filosofia/literatura e também a escrever, tanto como um processo de entendimento do que é a linguagem e tanto como uma fuga de algo que é substancialmente real e que não quis encarar por um tipo de medo de adentrar essas fronteiras mais longínquas. Enfim, é uma pergunta que se desdobra no processo criativo que tive ao longo dos anos para sintetizar nesse livro. Mas sobre a última parte da pergunta: acredito que as coisas e as experiências são extremamente furtivas, que o passado e o futuro não existem, e que sempre é esse presente magnânimo que existe, a ideia de um eterno retorno (de algumas tradições budistas ou de Nietzsche e Krishnamurti) muito me ensinou sobre a contemplação da realidade.

fotoGB: Um dos poemas do seu livro repete em diversas linhas, com letras grandes, a seguinte frase: “ESPELHAREI O CHÃO PARA TER O CÉU EM DOBRO”. Não por acaso, muitas ilustrações que acompanham os seus poemas trazem espaços cósmicos, alguns em lugares improváveis, como na vela de uma embarcação. Quais as dimensões desse céu em sua obra e qual seria, no seu livro, o tipo de relação desse céu com o homem, com as coisas do homem – pequenas e efêmeras – e com a terra?
Anderson: Gosto dessas imagens da natureza cósmica e gosto de brincar misturando-as com uma natureza sintética, criada pelos humanóides. Mas como em nossos tempos esses dois âmbitos são completamente remixados e se juntam numa biotecnologia, quase não nos sobra uma margem para o entendimento da natureza como um todo. De observar, simplesmente. Então nos poemas e depois nas colagens, eu adentro nesses temas que me tocam de algum modo, até inconsciente.
Enfim, respondendo a pergunta mais concretamente, a dimensão do céu, espero que seja todo o cosmos e todo o caos, das coisas supremas às futilidades humanóides; a verdade.

 

corpos, sem lembrança dos leitos em que deitaram,
pelos casos do acaso, da nudez refletida em lua cheia
àquela da qual partilhamos no alvorecer.
espelhos dos rostos que resplandecem.

noite em fuga.

do poema alado (polaroid de Tarkovsky) p. 37