Coleção Galo Branco de literatura contemporânea é lançada na Biblioteca Mário de Andrade

907a66_34f31ca9723f4d2d970162686dfa80a4No próximo dia 2 de dezembro, quarta-feira, a partir das 19h, será lançada na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, a Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, composta por sete títulos inéditos que foram lançados ao longo do ano de 2015 em diversas cidades do interior do estado de São Paulo. A Coleção foi publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC.

Fazem parte da Coleção Galo Branco os seguintes livros: “Espanto”, de Pedro Spigolon com fotografias de Pedro Spagnol; “Espelho d’água”, de Sarah Valle, ilustrado por Natália Gregorini; “Silenciosa Maneira”, de Jefferson Dias; “Pluma e Imensidão”, de Augusto Meneghin; “Azulázio”, de Anderson Kaltner; “As chaves de Buco”, de Danilo Carandina e “Arisca”, de Ana Julia Carvalheiro.

No lançamento na Mário de Andrade a Coleção, com os 7 livros, estará a venda por apenas R$ 30,00.

12250046_661446723958555_6895986306146473008_nNo mesmo dia, também acontecerá o relançamento do livro “Histórias zoófilas e outras atrocidades”, de Wilson Alves-Bezerra, professor de Literatura na UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), celebrando a parceria com a Editora Urutau. Wilson também fará algumas leituras do seu próximo livro.

Mais informações sobre o evento na página criada no facebook.

7º canto: ‘Arisca’, de Ana Júlia Carvalheiro

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Ilustração de “Arisca”

Na próxima quinta-feira, 26 de novembro, a partir das 19h, será lançado no Vila Bar, em Barão Geraldo, o sétimo e último livro da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, publicada pela Editora Medita neste ano de 2015 com recursos do ProAC, o livro “Arisca”, de Ana Júlia Carvalheiro.

Um livro com poemas e pequenos textos que podem muito bem serem vistos como pequenos poemas em prosa, “Arisca” é livro que parece se mostrar arisco desde o início, ele se esquiva, é daqueles que desconfia de si mesmo e do próprio leitor, “Assim, meu poema sempre obscuro, esconde-se mim, dentro da sombra. Obscurecendo o sentido, prolongo a chegada da derrota”.

As manchas da infância se imprimem logo no primeiro poema, cujo título é o mesmo do livro, e fala da infância mal resolvida, e do sorriso das crianças que dormem, “bizarro e bonito”. O aprendizado da escrita, o esforço da forma, estão em momentos como “Aprendi muitas coisas: a respirar, colocando o ar para fora, todo ele, buscando ele fundo debaixo das entrelinhas dos pulmões […] Aprendi a reler o que escrevo, número de vezes necessário para Enfiar, com letra maiúscula, dentro dos poros e saber de cor todos os erros”.

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Ilustração de “Arisca”

Um livro corajoso, que diz, sem indiretas, o que não é a mesma coisa que dizer com facilidade, do feminino, do tempo, da velhice, do corpo, do Outro, do romance entre o peixe de asas de fogo e a Girafa-Bexiga-Cheia de O2 num turbilhão de imagens onde, no dissecamento poético da vida, não há espaço para moralismos baratos, conceitos ingênuos, julgamentos fáceis. “A foda é só uma distração, prazer dolorido que arrecada tesão”.

Mas talvez entre tantas imagens, nenhuma diga mais sobre este livro do que aquela da jaguatirica que se insinua – selvagem – por entre alguns poemas como o belíssimo “Quantos anos”. Em um esforço antropofágico reconhecem-se, fazem-se amigas e fotografam-se no poema a Eu – “coisa concreta de corpo com cabeça”, a fada – “mole e inconsistente” e a jaguatirica – “uma encrenca pequena, lenta e atenta, está ainda olhando para nós”.

“Arisca”, encrenca pequena a olhar para nós, demolindo nossos anos, ilusões, passagens firmes, a constante e certa demolição da gente, começando sempre do nosso lugar de origem, a Casa Branca da poeta é também a Casa Velha de todos nós (quem não possui a sua?), o lugar de onde você sai, que não sai de você, o porquê? Não se sabe, e talvez se trate mesmo de não saber. As jaguatiricas são ariscas, indizíveis, invioláveis, feminino selvagem, sem resposta, sem solução. Ainda bem.

Como escreve a autora em suas notas: “Precisamos nos enxergar mais como um mistério, do que como um problema a ser resolvido”. E coube tão bem a este livro e a mim mesma boiando nele. Tentei tantas vezes resolvê-lo, mas ele não tem solução. […] Meu falso eu, esse ser do eu lírico me permitiu tantas aventuras, tantos casinhos, tantas liberdades que eu não sei se peço um tempo ou se caso logo com ele”.

O lançamento de “Arisca” tem entrada gratuita e é aberto ao público em geral. O livro estará sendo vendido no dia pelo valor de R$10,00. Mais informações no evento criado no Facebook.

imagem 3[…]
A cesta de basquete, o porão, a comida inventada com
jabuticaba
mortadela de madrugada
a galinha-cachorro
a namorada da capital
eu e você
os pelos no rosto
o amor correspondido
a demolição da casa
o terreno baldio
a cidade dorme
o beijo que roubei
os aplausos das crianças da rua
a desculpa do pão
minha descrença, minha culpa
não, foi outra coisa
a demolição da gente.

(p. 40)

Sem título* Ana Júlia Carvalheiro Costa nasceu em 1994, na cidade de Casa Branca, aprendeu que jabuticaba dá em tronco e voçorocas podem engolir cidades. Em 2013 fez algumas tirinhas e textos no jornal do Instituto de Artes da UNICAMP,
Ô,Xavante . Publicou seu Self na edição yoJaguar da revista de poesia e traduções Eu onça. Por enquanto se encontra na cidade de Campinas onde arrisca se tornar entre outras coisas uma Midialoga. ariscagalobranco@gmail.com ou está conectada na rede do Zuckerberg, pelo nome que assina.

Evento discute os desafios das editoras não hegemônicas com lançamento da Coleção Galo Branco

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Na próxima quarta-feira, 25, a partir das 19h, acontece em São Carlos, no Auditório da Educação Especial (Atrás do Departamento de Letras), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), uma mesa de debate que discutirá “Os desafios das editoras não-hegemônicas: da invenção à circulação dos livros” com a participação dos editores Ana Penteado (Ed. Urutau) e Tiago Rendelli (Ed. Urutau) e mediação de Luciana Salazar Salgado (UFSCar).

Serão emitidos certificados aos participantes.

Além do debate, o evento terá também o Lançamento/Sarau da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, publicada pela Editora Medita neste ano de 2015 com recursos do PROAC. 

Estarão presentes os sete livros que integram a Coleção:

“Espanto”- Pedro Spigolon, fotografias de Pedro Spagnol
“Espelho d’água” – Sarah Valle, Ilustrado por Natália Gregorini
“Silenciosa Maneira” – Jefferson Dias
“Pluma e Imensidão” – Augusto Meneghin
“Azulázio” – Anderson Kaltner
“As chaves de Buco” – Danilo Carandina
“Arisca”, de Ana Julia Carvalheiro

O evento está sendo realizado pelo Fórum de debates & Quartas de bolso. Mais informações no evento criado no facebook. 

Coleção Galo Branco lança em Campinas livros ‘Azulázio’ e ‘Pluma e Imensidão’

12227186_658966194206608_513311736521677008_nNesta quarta-feira, 11, a partir das 18h, a Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, que está sendo publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, lança em Campinas os livros de poemas, “Pluma e Imensidão”, de Augusto Meneghin, e “Azulázio”, de Anderson Kaltner.

O lançamento acontecerá na Galeria AT AL 609, localizada no bairro do Cambuí. Os livros estarão sendo vendidos pelo valor de R$ 10,00.

“Pluma e Imensidão’, de Augusto Meneghin, poderia ser visto simplesmente como um livro de poesia, mas, mais do que isso, é um livro de poemas, de imagens, de lugares, que supõe e convida o leitor a saltos, devaneios e toda sorte de imensidões. Segundo livro de Augusto, que já publicou pela mesma Editora Medita o livro de poemas “O Mar sem nós”, “Pluma e Imensidão” traz um primeiro poema, que dá título ao livro, e outros poemas que, mesmo nas suas particularidades e ritmos próprios, tecem juntos uma beleza múltipla. A potência da imagem poética reverbera nas páginas do livro, dando forma a uma poesia plástica que mais do que ser entendida, pretende-se sentida, daí sua intimidade com tudo que é da ordem do corpo e do espaço. Poesia-experiência, poesia-correspondência.

“Azulázio”, de Anderson Kaltner, já sugere desde o título quais seriam seus movimentos principais. “Azulázio” nos faz lembrar de “azul”, “azulejo”, duas palavras que aparecem nos poemas do livro, e talvez de topázio, para lembrar da pedra que aparece em um dos seus belos versos: “Amor é o afago da pedra”. Tanto azul, quanto pedra, são palavras de extenso uso poético. Desde a pedra drummondiana até o azul de Mallarmé, temos a tensão que, de certa forma, se desenvolve neste livro entre o lugar dos devaneios, dos sonhos, da imensidão, do inefável, e a pedra, objeto tão comum, rasteiro, das estradas, do chão, que, no entanto, traz em si também ares de mistério ou de coisa insondada, rara.

Com financiamento do Edital nº 34/2014 do Programa de Ação Cultural “Concurso de Apoio a projetos de publicação de livros – Coleção de Obras Inéditas – no Estado de São Paulo”, a Coleção Galo Branco é composta por vários autores, são eles: Pedro Spigolon, Sarah Valle, Augusto Meneghin, Ana Júlia Carvalheiro, Jefferson Dias, Anderson Kaltner e Danilo Carandina. Nesse projeto estão sendo impressos um total de 10.500 livros, divididos em 7 títulos inéditos. Os lançamentos acontecerão até dezembro deste ano em cidades do interior do estado de São Paulo.

O lançamento é aberto ao público em geral e a entrada é gratuita. Mais informações no evento criado no facebook.

um barco feito / do próprio rio / uma correnteza / nele mesmo (Anderson Kaltner, do livro “azulázio”, página 12.)

exceto o pássaro em seu primeiro voo, poucos atravessam uma nuvem em todas as direções (Augusto Meneghin, do livro “Pluma e Imensidão”, página 14)

‘Azulázio’, de Anderson Kaltner, será lançado em Sorocaba, interior de SP

12170432_10208083188421346_1361828553_nNo próximo dia 5 de novembro, em Sorocaba, interior de São Paulo, acontece o lançamento do livro de poemas “Azulázio”, de Anderson Kaltner, quinto livro da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, que está sendo publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC. O lançamento acontece a partir das 18h no Mi Casa Hostel e etc .

Desde o título, o livro de Anderson já sugere quais seriam seus movimentos principais. “Azulázio” nos faz lembrar de “azul”, “azulejo”, duas palavras que aparecem nos poemas do livro, e talvez de topázio, para lembrar da pedra que aparece em um dos seus belos versos: “Amor é o afago da pedra”. Tanto azul, quanto pedra, são palavras de extenso uso poético. Desde a pedra drummondiana até o azul de Mallarmé, temos a tensão que, de certa forma, se desenvolve neste livro entre o lugar dos devaneios, dos sonhos, da imensidão, do inefável, e a pedra, objeto tão comum, rasteiro, das estradas, do chão, que, no entanto, traz em si também ares de mistério ou de coisa insondada, rara.

Anderson Kaltner vive em Campinas, onde faz literatura, toca bateria e estuda filosofia, sem pressa pela malha do tempo. Nos entretempos namora, cozinha com vontade, cuida das ervas do jardim e brinca com gatos. Mantém uma página na internet com seus poemas e colagens.

O livro estará sendo vendido no dia do lançamento pelo valor de R$ 10,00. Mais informações sobre o lançamento no evento criado no facebook. O evento tem entrada gratuita e é aberto a todos.

Com financiamento do Edital nº 34/2014 do Programa de Ação Cultural “Concurso de Apoio a projetos de publicação de livros – Coleção de Obras Inéditas – no Estado de São Paulo”, a Coleção Galo Branco é composta por vários autores, são eles: Pedro Spigolon, Sarah Valle, Augusto Meneghin, Ana Júlia Carvalheiro, Jefferson Dias, Anderson Kaltner e Danilo Carandina. Nesse projeto estão sendo impressos um total de 10.500 livros, divididos em 7 títulos inéditos. Os lançamentos acontecerão até dezembro deste ano em cidades do interior do estado de São Paulo.

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retalhos de mares


possibilidades de chuvas
previsibilidades de poças
revolvendo de bruços
as dores do colchão
os dedos na manta
suspiros no chão
sussurros no mantra.
assim, outra vez,
deito em mim mesmo
de bruços de braços
dados um ao outro

Anderson Kaltner,
do livro “Azulázio”, página 9

Belas imagens para olhar: ‘O Mar sem Nós’, um livro feito de água

800px-View_of_a_kaleidoscopeQuase todas as coisas contêm água e a água contém quase todas as coisas. Os fluídos intermitentes, os movimentos contínuos, o silêncio às vezes tão terrível de um imenso lago parado. O primeiro livro de Augusto Meneghin, “O Mar sem nós”, é um livro de água, feito de água, nos faz lembrar do livro de areia de Borges, condenado à eternidade porque sem começo nem fim, enquanto temos aqui um livro que se debruça sobre “a corrosão inevitável de tudo o que ama”, que se reporta aos ciclos próprios de abandono e à aceitação da morte e do desaparecimento, dizendo justamente em um dos seus versos líquidos: não podemos partir da areia.

“O Mar sem Nós” abre fendas no cotidiano, indo do hábito de ler tantas vezes aquele velho romance, por não possuir outra coisa além de um livro e de um vidro de azeitonas, até a alquimia secreta capaz de fazer ouro com o parafuso da fábrica. Já aqui prepara-se sutilmente o movimento do universo pulsante em suas correspondências, que ganhará mais força no seu segundo livro, “Pluma e Imensidão”, 4º livro a ser lançado pela Coleção Galo Branco, e fala-se de “extensos laboratórios de alquimia adormecidos na floresta emudecida”.

Uma memória do mar e uma fragmentação do corpo insinuam-se em um ritual por vezes muito antigo que aqui torna-se tão presente, falando deste presente, fazendo-se mapa para orientar-se no caos das coisas enigmáticas e efêmeras, seguindo a pista das estrelas e seus desenhos. De tudo o que inevitavelmente passa, restará para ser visto, através do caleidoscópio, o suave beijo.

CAPA“Belas imagens para olhar”, palavras que estão na origem deste nome, caleidoscópio, e também na origem destes poemas feitos do vidro e que contêm água. No efeito agradável do olhar, por entre os vidros multicoloridos, salta sorrateiro o ritual do amor trazendo aos olhos “certos pontos cintilantes, brasas e constelações”.

É o amor, justamente, matéria recorrente neste “O Mar sem Nós”, um amor que escolhe, como posição preferida, o suor e o silêncio. Não seriam talvez também estas as posições preferidas da própria poesia – líquida, fluída, ondulante, feita desta matéria que não se deixa ver, tomar, ou dizer totalmente, sempre escapando para permanecer?

Neste oceano imenso e azul, habitado pela infância (memória insistente), pela quase demencial vívida alegria dos girassóis (lembremos dos girassóis de Van Gogh), “nós e o vento somos os mesmos” na pedregosa travessia de revelar para sempre o que estiver escondido, deixando-o ser visto como o mais visível e sempre presente.

Trata-se da agradável (e sempre perigosa) descoberta de um perfume, de assumir riscos que depois serão os outros e mesmos riscos de imensidão. O mar existe, sem nós, cabe a nós perguntarmos se existimos, sem ele, se existimos sem nós. Talvez encontrar ou, ao menos, sugerir esta resposta, seja tarefa do poeta que, como escreve Gil T. Sousa na apresentação deste livro, “nunca dá um nó que não possa desatar”.

Para aqueles que ainda não conhecem esse primeiro livro de Augusto, “O Mar sem Nós” será relançado no próximo dia 10 de outubro, sábado, no Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita, localizado na cidade de Araras, interior de São Paulo, juntamente com o lançamento pela Coleção Galo Branco de literatura contemporânea do livro “Pluma e Imensidão”. É uma oportunidade que o público terá de conhecer e adquirir o primeiro livro do autor, juntamente com a sua obra mais recente.

“O Mar sem Nós” está sendo relançado pela Editora Urutau, responsável pela publicação da revista literária e de artes visuais “euOnça” e que divide sua atuação múltipla entre os seguintes selos: Margem da palavra – textos e traduções acadêmicas, Orangotango – livro infantil, bi gato – zines, HQ e arte gráfica e LOS43! – educação e política. O relançamento é fruto de uma parceria entre a Editora Urutau e a Editora Medita, que publica a coleção Galo Branco e também foi responsável pela publicação da 1ª edição de “O Mar sem Nós”.

Mais informações sobre o lançamento de “Pluma e Imensidão” no evento criado no facebook e também em notícia publicada neste blog.

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Ilustração do livro “Pluma e Imensidão”

Por trás de álamos cinzentos
diz:
devo invocar a noite
para soletrar o insondável
e seguir adiante
quando interditarem as trevas.

desfaz oceanos com os lábios
e parte as cercas com uma sílaba de amora.
(“O Mar sem Nós”, p. 59)

‘Pluma e Imensidão’, quarto livro da Coleção Galo Branco, será lançado em Araras

12033740_10207864722599837_1252766891_n“Pluma e Imensidão”, de Augusto Meneghin, quarto livro da Coleção Galo Branco de literatura contemporânea, que está sendo publicada neste ano de 2015 pela Editora Medita com recursos do ProAC, será lançado na cidade de Araras, interior de São Paulo, no próximo dia 10 de outubro, sábado, a partir das 19h, no Centro Cultural De Araras Leny de Oliveira Zurita.

“Pluma e Imensidão’ poderia ser visto simplesmente como um livro de poesia, mas, mais do que isso, é um livro de poemas, de imagens, de lugares, que supõe e convida o leitor a saltos, devaneios e toda sorte de imensidões. Segundo livro de Augusto, que já publicou pela mesma Editora Medita o livro de poemas “O Mar sem nós”, “Pluma e Imensidão” traz um primeiro poema, que dá título ao livro, e outros poemas que, mesmo nas suas particularidades e ritmos próprios, tecem juntos uma beleza múltipla.

A potência da imagem poética reverbera nas páginas do livro, dando forma a uma poesia plástica que mais do que ser entendida, pretende-se sentida, daí sua intimidade com tudo que é da ordem do corpo e do espaço. Poesia-experiência, poesia-correspondência, que produz imagens como: “exceto o pássaro em seu primeiro voo, poucos atravessam uma nuvem em todas as direções”.

Augusto Meneghin nasceu em Araras, interior de São Paulo, no ano de 1987. Atualmente, se dedica à poesia e às artes plásticas. Mantém um site onde publica alguns textos e imagens de seu trabalho. “Da angústia, centro no qual o drama cósmico se desenrola e lugar onde a criação faz seu labirinto de acasos, nutro o sentido de meu movimento. E se falo em poesia, não é por hábito trágico, mas porque assim diz-se muitos caminhos”.

Com financiamento do Edital nº 34/2014 do Programa de Ação Cultural “Concurso de Apoio a projetos de publicação de livros – Coleção de Obras Inéditas – no Estado de São Paulo”, a Coleção Galo Branco é composta por vários autores, são eles: Pedro Spigolon, Sarah Valle, Augusto Meneghin, Ana Júlia Carvalheiro, Jefferson Dias, Anderson Kaltner e Danilo Carandina. Nesse projeto serão impressos 10.500 livros, divididos em 7 títulos inéditos. Os lançamentos acontecerão até dezembro deste ano em cidades do interior do estado de São Paulo.

O lançamento de “Pluma e Imensidão” terá entrada gratuita e é aberto ao público em geral. O livro estará à venda pelo valor de R$ 10,00. O Centro Cultural de Araras fica na Avenida Ângelo Franzini, s/nº, Jardim dos Ipês.

Mais informações pelo evento criado nas redes sociais.

‘Silenciosa maneira’, de Jefferson Dias, estará à venda na lojinha da Editora Medita

imagem livro“Silenciosa maneira”, de Jefferson Dias, o terceiro livro lançado pela coleção de obras inéditas Galo Branco, publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, estará à venda pela internet na lojinha da Editora Medita pelo valor de R$ 10,00.

O livro de poesia de Jefferson Dias será lançado no próximo dia 19 de agosto, quarta-feira, no Teatro de Bolso da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), a partir das 17h. Os livros que forem vendidos pela lojinha até a data do lançamento serão enviados com a assinatura do autor. Vale lembrar que os livros anteriores lançados pela Galo Branco, “Espanto”, de Pedro Spigolon, e “O Espelho d’água”, de Sarah Valle, também estão à venda na lojinha, podendo ser adquiridos, os dois, pelo valor de R$ 15,00.

O evento de lançamento terá um recital e uma homenagem ao poeta português Herberto Helder, importante influência para o livro de Jefferson Dias, onde o autor parece buscar o universo da mitologia edipiana e da imagem da mãe, que atravessa de forma mais expressiva a segunda parte de “Silenciosa Maneira”, sendo o poeta português citado literalmente em um dos poemas.

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Jefferson Dias

Um livro inicialmente difícil e perturbador, “Silenciosa maneira” coloca tanto a poesia quanto o leitor em lugares privilegiados, sendo a primeira constantemente pensada, e o segundo constantemente interpelado, provocado. Um vocabulário cientificista e detonador de certa repulsa ou estranhamento atravessa os poemas, que nos falam de cancro, mênstruo, esperma, leite, cuspe e gangrena. Ao mesmo tempo, algumas imagens dos poemas se desdobram em elevados instantes de reflexões metafísicas, existenciais, colocando a morte e o medo como presenças fundamentais. Sobretudo, no livro há tensões entre materialidade e metafísica, entre festins e solidão, entre o poeta – esse ser dos paradoxos – e o poema – esta fantasmagoria – entre o eu e o outro.

Como disse o autor do prefácio do livro e também professor de literatura na UFSCar, Wilson Alves-Bezerra, em entrevista concedida ao blog da coleção Galo Branco, “Jefferson Dias, seguindo a trilha de Augusto dos Anjos, opta por ser o poeta-corvo, aquele que lança imprecações contra quem se aproximar de suas páginas […] urdindo sua poética de modo bastante pessoal e promissor”.

O sexo macio e arrefecido pelo lado de dentro,
O pudor e a obscenidade metidos dentro
De uma porção apanhada e enrolada de cabelo feminino,
Um tilacino com tiles em todas as letras de um braço feminino,
A estria negra que entope as narinas,
Um metal terno na irrupção das narinas,
Desejar uma vileza dentro da língua fraterna,
Lamber o silêncio na face fraterna
Docemente entalhada na sobrancelha pouco densa e pornográfica,
Desejar um seio em outro seio sobre a madeira pornográfica, […] (p. 28)

(trecho do poema “Voz”)

Jefferson Dias opta por ser o ‘poeta-corvo’, diz Wilson Alves-Bezerra

livro
Fotografia de Wladimir Vaz

“A escolha de vocabulários em Silenciosa Maneira coloca o corpo em primeiro plano, um corpo orgânico e transbordante de humores e secreções, um corpo aberto ao olhar, à doença e à morte”. Esta é uma das reflexões feitas por Wilson Alves-Bezerra a partir do livro Silenciosa maneira, de Jefferson Dias, terceiro livro a ser lançado no próximo dia 19 de agosto, em São Carlos, pela Coleção de Obras Inéditas “Galo Branco”, publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC.

Na entrevista que segue abaixo, Alves-Bezerra, que também é autor do prefácio do livro de Jefferson e professor de literatura na UFSCar, fala da forma específica com que o autor trabalha no seu livro temas que atravessam a poesia ocidental, como morte, medo e melancolia. O corpo colocado em primeiro plano, a interpelação do leitor, o tom de provocação, são lembrados por ele como elementos que conferem singularidade a essa poética.

11221844_627899710646590_1955553963718315823_nBezerra também detalha, de forma bastante clara, as possíveis influências que autores como Nietzsche, Freud, Augusto dos Anjos e o poeta português Herberto Helder tiveram nessa poesia que se tensiona diante dos abismos, deixando entrever por entre suas imagens a “certeza da morte, a parceria com a morte, o exercício da morte e, claro, a própria morte”.

Diante de um país que, nas palavras de Wilson Alves-Bezerra, tem sido “de mais poetas que leitores de poesia”, ele fala de Jefferson Dias como alguém que vai urdindo sua poética de modo bastante pessoal e promissor, exercendo o papel do poeta-corvo, sendo ele mesmo aquela presença perturbadora e enigmática do poema de Poe que, dizendo apenas poucas palavras – “nunca mais” – parecia nelas fazer conter todas as outras.

Galo Branco: Entre as grandes presenças deste “Silenciosa maneira”, livro de Jefferson Dias, algumas se destacam, como aquela do medo, da melancolia e da morte. Qual seria a forma específica com que o livro aborda esses temas que atravessam a poesia desde sempre? Em outras palavras, como eles nos chegam nesse livro de poesia contemporânea?
Wilson Alves-Bezerra: Os temas do medo, da melancolia e da morte, como você diz, são onipresentes em nossa tradição da poesia ocidental; a singularidade de Jefferson Dias, como no caso de todo bom poeta, reside na forma com que os trabalha, em como os faz funcionar em sua poesia. Vejamos um exemplo: a escolha de vocabulários em Silenciosa Maneira coloca o corpo em primeiro plano, um corpo orgânico e transbordante de humores e secreções, um corpo aberto ao olhar, à doença e à morte: “Abalançar o corpo aberto: / Ressaber com – a presença aberta.” Este corpo, destituído de sua condição divina e social, se torna objeto de frequentação, observação e putrefação. A obscenidade do corpo aberto também funciona em coro com outros elementos, como a interpelação ao leitor; o poeta põe em cena a falência geral da existência humana. Se há melancolia e medo, há também um gesto crucial do poeta de entregá-los ao leitor, sob a forma de provocação. O medo, funcionando como antecipação de algo funesto que possa vir a acontecer, já serve ao poeta para legar o papel de verdugo ao leitor: “Eu abro as mãos / E não há arrependimento, / Apenas há dissimulação. / Matai-me.”, diz ele, já no poema inicial. Para ensaiar uma comparação imagética, se no século 19, o poema “The Raven”, de Poe, nos assombrava com a presença funesta que adentra pela janela e nos perturba a noite e a existência; Jefferson Dias, seguindo a trilha de Augusto dos Anjos, ensaia ele mesmo exercer este papel, isto é, opta por ser o poeta-corvo, aquele que lança imprecações contra quem se aproximar de suas páginas.

GB: Freud e o poeta português Herberto Helder parecem influências decisivas para o livro de Jefferson, assim como Nietzsche e o próprio Augusto dos Anjos. O que, especificamente, de cada um deles, você destacaria como essencial para essa poesia?
W A-B: A certeza da morte, a parceria com a morte, o exercício da morte e, claro, a própria morte. O mal estar na cultura (1930), de Freud, se não está na origem, certamente dá lugar aos versos de Silenciosa Maneira. De toda forma, essa série de autores encena o mundo sem o divino; é destas águas envenenadas que sorve Jefferson. Evidentemente seria possível detalhar longamente, mas o fundamental é que é da constatação da finitude do corpo – com Freud e Nietzsche – que parte Jefferson. De Herberto Helder há a possibilidade do exercício sistemático do delírio, que se traduz em sua escrita através de imagens poéticas que são da ordem do nonsense: “Vede: é uma nuvem de saxofones / Na topografia dos pulmões.” Helder, mesmo que com uma incursão bastante poderosa no absurdo, não deixou de revisitar o tema do divino até seu último livro; em certo momento de Poemas canhotos (2015), o recém-lançado livro do poeta português, o leitor se depara com o seguinte verso: “ainsi soit-il, diz Nosso Senhor que anda a aprender a língua na Alliance Française”. De Augusto dos Anjos, além da dimensão corvídea, já aludida na resposta anterior, está todo um universo vocabular cientitificista: Dias refere-se a hálux, ossatura, carbúnculo etc, para repisar sua – a expressão é dele – “tautológica carne”.

GB: Pelas fortes imagens, pelo vocabulário menos fácil do que sugestivo, o livro de Jefferson parece falar de tensões e atuar a partir delas. Percebemos, em sua poesia, tensões entre materialidade e metafísica, entre festins e solidão, entre o poeta – esse ser dos paradoxos – e o poema – esta fantasmagoria –entre o eu e o outro. Pra você, seria esse espaço tensivo, dialético, que, antes de excluir põe em relação elementos em um primeiro momento totalmente inconciliáveis e contraditórios, um lugar de onde nos fala e a partir do qual se realizaria a poesia brasileira mais recente?
W A-B: Eu não me atreveria a falar da “poesia brasileira mais recente”. Brasil tem sido nos últimos tempos um país de mais poetas que leitores de poesia. Há uma pluralidade para poetas vates, surrealistas, sentimentais etc. Particularmente, a poesia que encena tensões em sua própria forma e que trabalha na produção de realidades, na exploração de territórios de sonho e pesadelo, me interessa muito mais. De Jefferson Dias, em particular, cabe dizer que vai urdindo sua poética de modo bastante pessoal e promissor.

  • Wilson Alves-Bezerra é escritor, crítico literário, tradutor e professor do Departamento de Letras da UFSCar, onde atua na graduação em Letras e na pós-graduação em Estudos de Literatura. Atualmente é Coordenador de Cultura da universidade. É doutor em literatura comparada pela UERJ, mestre em língua espanhola e literaturas espanhola e hispanoamericana pela USP. Tem um livro de contos – Histórias Zoófilas e outras atrocidades (EDUFSCar / Oitava Rima), e outro de poemas, Vertigens (Iluminuras, 2015). Traduziu dois romances de Luis Gusmán – Pele e Osso (2009) e Hotel Éden (2013), ambos pela Iluminuras; sua tradução de Pele e Osso foi finalista do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Melhor tradução literária espanhol-português. Traduziu ainda três livros de contos de Horacio Quiroga: Contos da Selva (2007), Cartas de um caçador (2007) e Contos de amor de loucura e de morte (2014), todos pela Iluminuras. Como ensaísta, lançou Reverberações da fronteira em Horacio Quiroga (Humanitas/FAPESP, 2008) e Da Clínica do Desejo a sua escrita (Mercado de Letras/FAPESP, 2012). Como resenhista na área de literatura tem textos publicados nos suplementos literários dos jornais O Globo, O Estado de São Paulo, Zero Hora, Jornal do Brasil, além do mexicano El Universal.

[…] E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

(Edgar Allan Poe, O Corvo. Trad. Machado de Assis)

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Ilustração de Gustave Doré para “The Raven”

‘Silenciosa maneira’, de Jefferson Dias, será lançado em São Carlos com homenagem a Herberto Helder

11698678_626764177426810_7596125281760283051_n“Silenciosa maneira”, de Jefferson Dias, o terceiro livro da coleção Galo Branco, que está sendo publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, será lançado no próximo dia 19 de agosto, quarta-feira, no Teatro de Bolso da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), a partir das 17h.

Além do lançamento do livro, que estará sendo vendido no dia pelo valor de R$ 10,00, o evento terá um recital e uma homenagem ao poeta português Herberto Helder, importante influência para o livro de Jefferson Dias. Em Herberto Helder, Jefferson parece buscar o universo da mitologia edipiana e da imagem da mãe, que atravessa de forma mais expressiva a segunda parte de “Silenciosa Maneira”, sendo o poeta português citado literalmente em um dos poemas.

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Herberto Helder

Além de Herberto Helder, “Silenciosa maneira” traz ecos de Augusto dos Anjos, percebidos seja na expansão de imagens de dor, horror e morte, seja em um vocabulário que nos fala de cancro, mênstruo, esperma, leite, cuspe e gangrena, com um gosto pela anormalidade que se revela poética. Um livro inicialmente difícil e perturbador, nele sobretudo há tensões entre materialidade e metafísica, entre festins e solidão, entre o poeta – esse ser dos paradoxos – e o poema – esta fantasmagoria – entre o eu e o outro. Justamente é o poema outro grande personagem deste livro ensurdecedor em seu silêncio que combina momentos de sensualidade com lampejos espirituais, uma melancolia contínua e uma sutil reverberação da vida.

Jefferson Dias nasceu em Monte Sião, Minas Gerais, em 1990. Mudou-se bem logo para Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde reside até hoje. Concluiu no ano de 2014 o curso de Letras da Universidade Federal de São Carlos; debruçou-se, em seu trabalho de conclusão de curso, sobre a montagem do poema “Húmus” (1966), empreendida pelo poeta lusitano Herberto Helder, a partir do romance homônimo (1926) do também português Raul Brandão. Publicou, em 2013, pela editora Multifoco (Rio de Janeiro-RJ), o livro de poemas Último Festim. Em 2014 teve o poema “Dédalo” publicado na segunda edição da revista euOnça (editora Medita, Campinas-SP). Além de “Silenciosa maneira”, escreveu Qualquer Lugar (poesia, inédito) e Sonata do Diabo (romance, inédito). Mantém um site onde publica alguns de seus textos.

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Jefferson Dias

Financiada pelo Edital nº 34/2014 do Programa de Ação Cultural “Concurso de Apoio a Projetos de Publicação de Livros – Coleção de Obras Inéditas – no Estado de São Paulo”, a coleção Galo Branco imprimirá, ao longo de 2015, 10.500 livros, divididos em 7 títulos inéditos. Os lançamentos serão realizados até dezembro em cinco cidades do interior do estado de São Paulo. São várias as vozes que compõem a polifonia dessa coleção: Pedro Spigolon, Sarah Valle, Augusto Meneghin, Ana Júlia Carvalheiro, Jefferson Dias, Anderson Kaltner e Danilo Carandina.

O lançamento tem entrada gratuita e é aberto ao público em geral. Os dois livros já lançados pela coleção Galo Branco, “Espanto”, de Pedro Spigolon, e “O Espelho d´água”, de Sarah Valle, também estarão à venda, os dois por R$ 15,00. Mais informações na página do evento no facebook.

Dizer o acaso – dizer a vida –, mas dizer.
Inventar os arranjos, dizer os rostos,
Fermentar os ossos do poema, revelá-los simples:

Toda a hipocondria – arranjo repleto geral,
Outro poema: cavalos quebrados –
E toda a ternura, a carne do gesto.

A cabeça da palavra: Herberto Helder
Qual uma península na dança.

[…]

(trecho do poema “Arranjos”, p. 37)

Coleção Galo Branco