‘Silenciosa maneira’, de Jefferson Dias, estará à venda na lojinha da Editora Medita

imagem livro“Silenciosa maneira”, de Jefferson Dias, o terceiro livro lançado pela coleção de obras inéditas Galo Branco, publicada pela Editora Medita com recursos do ProAC, estará à venda pela internet na lojinha da Editora Medita pelo valor de R$ 10,00.

O livro de poesia de Jefferson Dias será lançado no próximo dia 19 de agosto, quarta-feira, no Teatro de Bolso da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), a partir das 17h. Os livros que forem vendidos pela lojinha até a data do lançamento serão enviados com a assinatura do autor. Vale lembrar que os livros anteriores lançados pela Galo Branco, “Espanto”, de Pedro Spigolon, e “O Espelho d’água”, de Sarah Valle, também estão à venda na lojinha, podendo ser adquiridos, os dois, pelo valor de R$ 15,00.

O evento de lançamento terá um recital e uma homenagem ao poeta português Herberto Helder, importante influência para o livro de Jefferson Dias, onde o autor parece buscar o universo da mitologia edipiana e da imagem da mãe, que atravessa de forma mais expressiva a segunda parte de “Silenciosa Maneira”, sendo o poeta português citado literalmente em um dos poemas.

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Jefferson Dias

Um livro inicialmente difícil e perturbador, “Silenciosa maneira” coloca tanto a poesia quanto o leitor em lugares privilegiados, sendo a primeira constantemente pensada, e o segundo constantemente interpelado, provocado. Um vocabulário cientificista e detonador de certa repulsa ou estranhamento atravessa os poemas, que nos falam de cancro, mênstruo, esperma, leite, cuspe e gangrena. Ao mesmo tempo, algumas imagens dos poemas se desdobram em elevados instantes de reflexões metafísicas, existenciais, colocando a morte e o medo como presenças fundamentais. Sobretudo, no livro há tensões entre materialidade e metafísica, entre festins e solidão, entre o poeta – esse ser dos paradoxos – e o poema – esta fantasmagoria – entre o eu e o outro.

Como disse o autor do prefácio do livro e também professor de literatura na UFSCar, Wilson Alves-Bezerra, em entrevista concedida ao blog da coleção Galo Branco, “Jefferson Dias, seguindo a trilha de Augusto dos Anjos, opta por ser o poeta-corvo, aquele que lança imprecações contra quem se aproximar de suas páginas […] urdindo sua poética de modo bastante pessoal e promissor”.

O sexo macio e arrefecido pelo lado de dentro,
O pudor e a obscenidade metidos dentro
De uma porção apanhada e enrolada de cabelo feminino,
Um tilacino com tiles em todas as letras de um braço feminino,
A estria negra que entope as narinas,
Um metal terno na irrupção das narinas,
Desejar uma vileza dentro da língua fraterna,
Lamber o silêncio na face fraterna
Docemente entalhada na sobrancelha pouco densa e pornográfica,
Desejar um seio em outro seio sobre a madeira pornográfica, […] (p. 28)

(trecho do poema “Voz”)

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